O Outubro Rosa é um importante momento para ampliar a informação sobre o câncer de mama, incentivar a prevenção e lembrar que cuidar da saúde envolve tanto o corpo quanto a mente.
No Brasil, o câncer de mama é um dos tipos de câncer mais incidentes entre as mulheres, com 78.610 novos casos estimados para cada ano do triênio 2026–2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2026).
Diante de números tão expressivos, informação de qualidade é uma das principais ferramentas de cuidado. Afinal, ainda existem muitos mitos sobre a doença.
Mito: “Se não tenho histórico familiar, não preciso me preocupar.”
Verdade: ter familiares com câncer de mama pode aumentar o risco, especialmente em casos relacionados a determinadas alterações genéticas. Porém, a ausência de histórico familiar não significa que uma pessoa esteja livre do risco. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 80% dos cânceres de mama ocorrem em mulheres sem fatores de risco específicos além do sexo e da idade.
A idade é um dos principais fatores de risco. Outros fatores incluem excesso de gordura corporal, consumo de álcool, sedentarismo, tabagismo, exposição à radiação e algumas características hormonais e reprodutivas.
Mito: “Câncer de mama só acontece com mulheres.”
Verdade: embora seja muito mais comum entre mulheres, homens também podem desenvolver a doença. A OMS estima que aproximadamente 0,5% a 1% dos casos de câncer de mama ocorram em homens.
Por ser menos conhecido nesse público, o câncer de mama masculino pode ser identificado tardiamente. Por isso, alterações nas mamas também merecem atenção independentemente do sexo.
Mito: “Se eu não sentir nenhum sintoma, não preciso fazer acompanhamento.”
Verdade: o câncer de mama pode não apresentar sintomas em suas fases iniciais. É justamente por isso que a detecção precoce é tão importante. Alterações como nódulo na mama ou axila, mudança no formato ou na pele da mama, retração do mamilo ou saída espontânea de líquido pelo mamilo devem ser avaliadas por um profissional de saúde, mesmo quando não provocam dor..
Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças, mas isso não substitui o acompanhamento de saúde nem os exames recomendados.
Mito: “Quanto mais cedo começar a fazer mamografia, melhor.”
Verdade: começar mais cedo ou realizar mamografias com maior frequência não significa, necessariamente, maior benefício. O rastreamento deve considerar os benefícios e os possíveis riscos, como resultados falso-positivos e investigações desnecessárias. Atualmente, o Ministério da Saúde e o INCA recomendam a mamografia de rotina para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Pessoas com risco elevado precisam de acompanhamento individualizado.
No SUS, mulheres de 40 a 49 anos também podem ter acesso à mamografia de rastreamento por demanda, após orientação sobre riscos e benefícios. Quando há sinais ou sintomas suspeitos, a avaliação diagnóstica deve ocorrer independentemente da idade, e o profissional define os exames adequados.
Mito: “Cuidar da saúde mental não tem relação com o câncer de mama.”
Verdade: cuidar da saúde mental faz parte do cuidado com a saúde em todas as fases da vida, inclusive antes de qualquer diagnóstico. Reconhecer o sofrimento emocional, buscar apoio e construir uma rotina possível de autocuidado têm valor por si mesmos.
Na relação com a saúde das mamas, esse cuidado também pode ajudar a lidar com o medo dos exames e dos resultados, conversar sobre dúvidas e buscar atendimento. Deve-se acolher as dificuldades emocionais que podem interferir no cuidado, sem atribuir à pessoa toda a responsabilidade por barreiras que também envolvem tempo, renda e acesso aos serviços.
Quando existe um diagnóstico, o apoio psicológico pode auxiliar diante da ansiedade, das mudanças na imagem corporal e dos impactos na autoestima, nos relacionamentos e na vida profissional. Essa necessidade pode continuar após o tratamento. Cuidar da saúde mental não exige manter uma atitude positiva o tempo todo: envolve espaço para sentir, falar e receber apoio.
Mito: “Guardar mágoas ou não conseguir perdoar causa câncer de mama.”
Verdade: não há evidência científica suficiente para afirmar que guardar mágoas, sentir tristeza ou não conseguir perdoar cause câncer de mama. A doença envolve múltiplos fatores e não pode ser explicada pela história emocional de uma pessoa.
O estresse prolongado pode prejudicar a saúde e influenciar comportamentos, como o consumo de álcool, o tabagismo e a redução da atividade física. Isso, porém, não comprova que uma emoção ou uma mágoa provoque câncer.
Atribuir o adoecimento a sentimentos pode acrescentar culpa a uma experiência já difícil. Ninguém deve ser responsabilizado pelo câncer por aquilo que sentiu ou deixou de sentir. O sofrimento emocional merece cuidado, e o apoio psicológico não deve ser apresentado como garantia de prevenção ou cura.
Mito: “Prevenção é apenas fazer exames.”
Verdade: os exames de rastreamento buscam identificar a doença antes do aparecimento de sintomas; eles não impedem que o câncer de mama se desenvolva. A redução do risco envolve medidas como praticar atividade física, manter um peso saudável, evitar bebidas alcoólicas, não fumar e ter uma alimentação equilibrada fazem parte do cuidado geral com a saúde.
Conhecer o próprio corpo, procurar avaliação diante de alterações e seguir as recomendações de rastreamento são medidas de detecção precoce. Hábitos saudáveis reduzem riscos, mas não garantem que a doença não ocorrerá.
No ambiente de trabalho, as organizações podem contribuir com informação confiável, condições para comparecer a consultas e exames e acesso a apoio emocional. Também devem respeitar a privacidade e acolher as necessidades de quem enfrenta a doença. Assim, o Outubro Rosa pode inspirar ações de cuidado que são mantidas ao longo de todo o ano.
Essa perspectiva de cuidado integral orienta a atuação da Mental Clean: valorizar a saúde mental, acolher o sofrimento e apoiar as pessoas na construção de uma relação mais atenta com a própria saúde.
Cuidar da saúde envolve informação, acesso aos serviços e apoio. No Outubro Rosa e durante todo o ano, o convite é conhecer o próprio corpo, seguir as orientações de saúde e acolher as necessidades emocionais, sem culpa e sem cobranças para estar bem o tempo todo.
Na Mental Clean, acreditamos que cuidar da saúde mental faz parte do cuidado integral. Porque prevenção não é apenas uma atitude diante da doença: é uma forma de valorizar a própria vida.