Mitos sobre a psicoterapia que ainda atrapalham muita gente

Nos últimos anos, a saúde mental passou a ocupar um lugar de maior destaque na mídia, nas organizações e na sociedade. Ainda assim, vários tabus relacionados à terapia persistem e dificultam a busca por apoio psicológico.
Muitas pessoas reconhecem que estão emocionalmente cansadas, ou sofrendo, mas deixam de buscar um suporte profissional devido a crenças equivocadas sobre a psicoterapia. Essa resistência tem impacto direto na saúde mental da população. O estudo Tensões Culturais 2026, realizado pela Quiddity, consultoria do ecossistema Untold, revela que 1 a cada 3 brasileiros não tem motivação para levantar da cama para ir trabalhar, e a principal razão apontada foi a ansiedade, evidenciando o impacto crescente do sofrimento emocional na vida cotidiana.
No entanto, reconhecer as dores emocionais e buscar apoio psicológico continua sendo um desafio para muitas pessoas. No ambiente de trabalho, esse cenário também preocupa. Uma pesquisa da MindMiners (2022) revelou que apenas 36% dos brasileiros se sentem confortáveis para conversar sobre saúde mental com suas lideranças ou com a área de Recursos Humanos, pois inúmeras vezes, o medo do julgamento faz com que muita gente sofra em silêncio. Esse cenário também é alimentado pelos mitos que ainda cercam a terapia. Um dos mais comuns é a crença de que “quem faz terapia é fraco” ou “está louco”.
Essa visão equivocada desconsidera que a psicoterapia é um espaço de autoconhecimento, desenvolvimento de recursos emocionais e promoção da qualidade de vida. Na realidade, buscar ajuda profissional não representa fraqueza, mas um ato de coragem, responsabilidade e cuidado consigo mesmo. Outro mito bastante presente é acreditar que “problemas emocionais se resolvem apenas com força de vontade” – como se quem está enfrentando sofrimento psíquico não melhorasse apenas porque não quer.
Embora atitudes positivas sejam importantes, transtornos mentais envolvem fatores biológicos, psicológicos e sociais complexos. Assim como alguém procura um médico para tratar uma dor física, também é necessário apoio especializado quando o sofrimento emocional começa a afetar várias áreas da vida.
Também existe o mito de que “só quem tem um transtorno grave precisa de terapia”, mas na prática, a psicoterapia pode beneficiar qualquer pessoa!
Psicólogos auxiliam no enfrentamento da ansiedade, do estresse, do luto, ajudam a lidar com conflitos familiares, mudanças de vida, inseguranças e a superar dificuldades profissionais, além de contribuírem para o autoconhecimento e para o fortalecimento emocional, antes mesmo que um problema se agrave.
Há também uma falsa ideia muito comum que “ter saúde mental significa estar feliz o tempo todo”. No entanto, saúde mental não significa ausência de tristeza, medo ou cansaço, mas envolve a capacidade de reconhecer emoções, lidar com elas de maneira saudável e buscar apoio quando necessário, pois sentir emoções desconfortáveis em determinados momentos da vida faz parte da experiência humana.
No contexto corporativo, ainda existe o mito de que demonstrar emoções no ambiente de trabalho prejudica a produtividade. Essa crença faz com que muitos profissionais sintam que precisam ocultar suas dificuldades emocionais para serem vistos como competentes.
Porém, a ciência mostra exatamente o oposto: ambientes emocionalmente seguros, onde as pessoas se sentem ouvidas, respeitadas e acolhidas, favorecem o engajamento e o desempenho sustentável.
Ignorar emoções não elimina o sofrimento, apenas o esconde temporariamente até que ele apareça em forma de esgotamento, conflitos ou adoecimento.
A boa notícia é que esse cenário vem mudando. Cada vez mais empresas têm investido em programas de acolhimento emocional, psicoterapia, treinamentos sobre saúde emocional e políticas de bem-estar.
A experiência da Mental Clean em projetos voltados à saúde mental do trabalhador tem demonstrado que organizações que promovem diálogo aberto sobre emoções tendem a fortalecer relações mais saudáveis, melhorar a comunicação e aumentar o engajamento das equipes.
Romper os estigmas sobre a terapia é abrir espaço para o cuidado verdadeiro. Informação de qualidade ajuda a reduzir preconceitos, amplia o acesso ao apoio psicológico e fortalece a compreensão de que cuidar da saúde mental deve ser tão natural quanto ter atenção com a saúde física. Fazer psicoterapia não deveria ser motivo de vergonha, e sim parte natural do cuidado com a vida. Afinal, buscar apoio profissional não significa fraqueza, mas reconhecer que ninguém precisa enfrentar tudo sozinho.
Na Mental Clean, acreditamos que reduzir os estigmas relacionados à saúde mental e à terapia, é fundamental para construir ambientes mais humanos, acolhedores e psicologicamente seguros, onde as pessoas possam buscar apoio sem medo de julgamento.




